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O Show de Truman e a Indústria Cultural

outubro 02, 2017

O assunto de hoje é um resenha/comentário sobre o filme O Shown de Truman, vamos avaliar esse filme pela ótica a critica da Industrial Cultural. A partir de 1900, começou o período das sociedades complexas, com ênfase em algumas características, como o fortalecimento do Capitalismo e a era das sociedades de massas. Hoje em dia vivemos numa sociedade de controle e capitalista, os Frankfurtianos analisaram que a cultura estava cada vez mais fundida em relação à economia.


Foi no século XX que surgiu a ideia de que aquilo que a sociedade é, ou almeja ser depende muito dos bens que possuem e, acima de tudo, do que é certo ou errado a partir dos interesses veiculados pelos meios de comunicação. Meios estes que têm interesses em fazer com que a massa tenha atitudes condizente com aquilo que é relevante para eles.

Os proponentes ressaltam a expressão “indústria cultural” para indicar o processo de industrialização da cultura produzida para a massa e os imperativos comerciais que impeliam o sistema. Os teóricos críticos analisavam todas as produções culturais de massa no contexto da produção industrial, em que os produtos da indústria cultural apresentavam as mesmas características dos outros produtos fabricados em massa: transformação em mercadoria, padronização e massificação. Os produtos das indústrias culturais tinham a função específica, porém, de legitimar ideologicamente as sociedades capitalistas, existentes e de integrar os indivíduos nos quadros da cultura de massa e da sociedade (KELLNER, 2001, p. 44).

O rádio, o cinema e a televisão se transformaram em um negócio que visava legitimar as atitudes daqueles que detêm o poder econômico. Podemos observar com clareza a alienação dos humanos perante as imposições da mídia.


O filme


O filme o show de Truman relata a história de um menino que foi escolhido ainda na barriga de sua mãe, para estrelar um programa de TV. Após o nascimento de Truman todos os seus passos são transmitidos ao vivo para milhares de pessoas 24h por dia. Porém, uma das preocupações do diretor é com o crescimento do menino, como fazer com que ele se sentisse atraído por uma “cidade” pequena e sem nenhuma grande novidade. E como o medo é um dos sentimentos que pode nos prender, nos travar de fazer algo, o diretor começou a mexer com a emoção e criar medos e receios em Truman, para que ele não ultrapasse nenhuma barreira. Para impedir que Truman descubra sua falsa realidade, os produtores por meio do condicionamento psicológico, conseguiram dissuadir o seu senso de exploração. A ideia era de que Truman entendesse que nasceu com um destino impossível de se afastar. Cabia-lhe apenas seguir um roteiro, deixar os acontecimentos conduzir seu o futuro. A todo o momento, a direção do programa interferia, seja manipulando notícias e informações, seja criando situações. Da mesma maneira em que o diretor, faz com ele tenha medo do mar, ingira certo tipos de alimentos, tenha medo de sair de casa, etc. Temos envolvidos nisso mídia, sujeito, e economia, fazendo o mesmo conosco, entre outras ideias que somos inconscientemente feitos a acreditar pelos nossos observadores. E por fim, o filme, levanta a questão do respeito aos direitos individuais e o debate sobre a estratégia dos meios de comunicação, abordando a influência da mídia no comportamento humano. Tudo à volta de Truman é controlado sem a sua consciência, além de conseguirem manipular a consciência do telespectador do reality show também.


O filme a nos remete a escola de Frankfurt, que tem como assunto principal o modo de manipulação que a sociedade acaba sofrendo. Até que ponto deixamos que os meios de comunicação de massa impusessem sobre a sociedade um modo de viver, isso fica explicito quando se tem os merchandisings de carros, casas, roupas, comidas, despertando o interesse das pessoas a comprar justamente só aquilo que aparecesse no programa. Tanto o filme como a escola de Frankfurt é uma crítica para que a sociedade passe a olhar para o seu modo de viver, e que não se tornem reféns dos meios de comunicação de massa, para que elas possam enxergar o mundo com seus próprios olhos.

Podemos ver o Show de Truman como a reinvenção do mito da caverna, descrito por Platão da seguinte maneira: O filósofo descreve homens acorrentados em uma caverna escura, que tomam por mundo verdadeiro o breu do ambiente a que foram aprisionados. Os prisioneiros, incapazes de movimentar a cabeça e, consequentemente, verem uns aos outros ou mesmo a si próprios, gastam os dias e as noites a observar sombras de marionetes, que se projetam numa parede em frente a seus olhos, conduzidas por outros homens que se colocam atrás dos prisioneiros. Como os homens acorrentados poderiam aventar a hipótese de que existe um mundo acima da caverna, um mundo exterior, em que as sombras são projetadas por marionetes e as marionetes, por sua vez, são cópias de seres e coisas? Como poderiam desconfiar de que o mundo que tomam por real é falso? Um dia, um dos cativos se liberta e sai da caverna. Olhando para o alto, para o exterior, chega a conclusão de que o mundo que haviam criado para ele, o mundo da caverna, não passa de ilusão. Livre, descobre que as sombras e as marionetes não são seres reais e que as vozes que ouve na escuridão da caverna não vêm das sombras, mas de outros homens que impunham as marionetes. Por fim, o prisioneiro dá-se conta do engano de sua percepção na vida antiga, quando tomava por realidade o que de fato era aparência. No curso do descobrimento do novo mundo, o prisioneiro distingue a coisa verdadeira daquilo que ele acreditava ser a própria coisa, no estágio anterior (STIGGER, 2003, p. 104).


A indústria funciona como um grande esquema que prescinde o espectador/consumidor da reflexão, quanto menos esforço para reflexão melhor. Tudo é preparado de uma maneira voltada a reproduzir a realidade como um modelo a ser seguido. Somos levados a acreditar que viver bem depende de ter e saber o que nos é apresentado, e perdemos a capacidade de “sair da caverna” enquanto continuarmos adotando esses conceitos como verdadeiros. Um exemplo disso é a forma em que a sociedade continua passiva diante de tanta miséria, corrupção, etc.

Dentro dessa perspectiva, a indústria cultural é muito bem utilizada pela televisão, pois esta detém alcance considerável. E servem como instrumento para direcionar e instituir padrões de comportamentos. A mídia possui muito poder e, claramente, muitos interesses também. Obviamente o principal deles é o econômico. Todos somos consumidores e todos somos produtos, tudo gira em torno da geração de capital e consumidores que pensam não compram.

A economia tomou para si o controle da cultura, inserindo-se de uma vez por todas em um meio que tem nos dias de hoje a cultura como uma ferramenta usada deliberadamente pelo capitalismo, com o intuito de faturar e alienar grande parte do público. Hoje se constata que a indústria cultural é uma verdadeira máquina.

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